domingo, 19 de maio de 2013

Água com 1,5 bilhão de anos descoberta no Canadá pode ter vida


Água e gás que vertem da rocha são coletados por cientistas Foto: J. Moran (2009) / Divulgação

Cientistas do Canadá e do Reino Unido encontraram em uma mina a 2,4 quilômetros de profundidade em Ontário bolsões de água que estavam isolados havia pelo menos 1,5 bilhão de anos. Segundo os pesquisadores, o local pode abrigar vida e tem rochas similares àquelas descobertas em Marte, o que pode nos ajudar a entender como seriam as formas de vida caso elas tenham existido - ou ainda existam - no planeta vermelho.
O estudo, divulgado nesta quarta-feira na revista especializada Nature, descobriu que essa água é abundante em substâncias químicas necessárias à vida e pode ser uma das mais antigas do nosso planeta. Além disso, a descoberta pode levar a entendermos melhor como micro-organismos isolados evoluem.
Os cientistas afirmam que a água é rica em gases dissolvidos, como hidrogênio, metano e gases nobres - como hélio, neônio, argônio e xenônio. A grande quantidade de hidrogênio é similar à encontrada em chaminés hidrotermais - regiões profundas do oceano com grande quantidade de vida, principalmente microscópica, que tira sua energia do calor das profundezas da Terra. Segundo os cientistas, mesmo sem receber a energia do Sol, os seres vivos da mina canadense conseguiriam energia dos gases.
As rochas do local têm cerca de 2,7 bilhões de anos, mas ninguém imaginava que a água também era tão velha. Agora, os pesquisadores usaram novas técnicas para mostrar que o líquido tem pelo menos 1,5 bilhão de anos, mas pode ser muito mais velho.
"Encontramos um sistema fluido interconectado na profundeza do embasamento cristalino canadense que tem bilhões de anos e é capaz de suportar vida. Nossas descobertas são de grande interesse para pesquisadores que tentam entender como micróbios evoluem em isolamento, e é central para a questão da origem da vida, a manutenção da vida, e a vida em ambientes extremos e outros planetas", diz Chris Ballentine, professor da Universidade de Manchester (Reino Unido).
Água com pelo menos 1,5 bilhão de anos verte de mina no Canadá Foto: J Telling / Divulgação
Água com pelo menos 1,5 bilhão de anos verte de mina no Canadá
Foto: J Telling / Divulgação
Antes da descoberta na mina, a única água tão antiga conhecida estava presa em pequenas bolhas em rochas e era incapaz de manter vida. O líquido encontrado nas profundezas canadenses verte da pedra a uma taxa de dois litros por minutos, parecido com outra mina da África do Sul, a 2,8 quilômetros de profundidade, e na qual se descobriu vida. Contudo, nesta, a água é bem mais nova. 
"Nossos colegas canadenses estão tentando descobrir agora se a água contém vida. O que nós temos certeza é que identificamos uma maneira pela qual planetas podem criar e preservar um ambiente amigável à vida microbiana por bilhões de anos. E isso é independente de quão inóspita a superfície possa ser, abrindo a possibilidade de ambientes similares no subsolo de Marte", diz Greg Holland, da Universidade de Lancaster, também do Reino Unido

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Elefantes sabem identificar áreas seguras e evitam humanos


Testes feitos com animais dentro e fora de reserva de proteção na África mostraram que estresse era maior do lado externo


O GLOBO (EMAIL)
Publicado: 


Elefantes africanos em reserva, no Quênia
Foto: LASZLO BALOGH / REUTERS

Elefantes selvagens africanos preferem viver em áreas protegidas e ficam estressados quando deixam estas regiões. Cientistas descobriram que elefantes que vivem fora do Parque Nacioanl Serengeti, entre a Tanzânia e o Quênia, na África Oriental, são mais estressados dos que estão dentro dele, o que sugere que eles sabem identificar as áreas seguras e evitam constantemente os humanos.
Sem cercas ao redor das áreas protegidas no Serengeti, animais e pessoas podem ir e vir, e os elefantes podem trafegar por áreas onde eles estão em maior risco.
O estudo teve como objetivo avaliar o bem-estar dos elefantes (Loxodonta africana) dentro do parque e nas regiões parcialmente protegidas adjacentes da Reserva Grumeti e da área aberta Ikoma, onde a perturbação humana é maior.
A partir da análise do estrume do elefante, a equipe de pesquisa descobriu que animais fora do parque nacional tinham níveis significativamente mais elevados do hormônio do estresse, o glucorticoide. Além disso, mais elefantes viviam dentro do parque, enquanto que os machos solteiros eram vistos do lado de fora.
- A razão é provavelmente porque elefantes tentam evitar a interação com humanos - afirmou o pesquisador Eivin Roskaft, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, em Trondheim.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/elefantes-sabem-identificar-areas-seguras-evitam-humanos-7507793#ixzz2KAbYUnaa




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ahmadinejad se oferece para ser primeiro astronauta do Irã



Foto 10 de 16 - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (à direita), afirmou que está disposto a ser o primeiro astronauta de seu país, durante a apresentação dos protótipos dos satélites de comunicação Zohreh e Nahid, que devem ser lançados ainda neste ano. O país colocou em órbita seu primeiro satélite em 2009 e, agora, espera poder enviar um homem ao espaço antes de 2020Arman Teimu/Iranian Presidency Website/AFP
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira (4) que está disposto a ser o primeiro astronauta de seu país, durante a apresentação dos protótipos de dois satélites que o país espera lançar neste ano, informou a agência local Mehr.
"Estou disposto a ser o primeiro humano a ser lançado ao espaço por cientistas iranianos", disse Ahmadinejad ao tentar, também, afastar as dúvidas da imprensa internacional sobre o envio ao espaço de um macaco na semana passada. 
Na segunda-feira passada (28), a agência de notícias oficial do país anunciou que um primata foi enviado ao espaço a bordo de um satélite lançado por um foguete, que subiu a uma altura de mais de 120 quilômetros e voltou intacto à Terra - segundo relatos, o animal também estava vivo ao ser resgatado. Fontes independentes, porém, não comprovaram o fato.

FOTO LANÇA DÚVIDA SOBRE ENVIO DE MACACO AO ESPAÇO

Segundo Ahmadinejad, "o diabólico inimigo", maneira pelo qual o líder se refere a Israel, Estados Unidos e seus aliados, está preocupado com o progresso do Irã "em todos os campos científicos" e utiliza qualquer meio para "saquear os recursos iranianos".
O presidente também pediu aos especialistas em tecnologia espacial que permaneçam alerta para evitar possíveis "sabotagens" em seu trabalho, já que "algumas potências não podem tolerar a grandeza e o crescimento do Irã".
O governo iraniano anunciou, durante a apresentação, que os protótipos dos satélites de comunicação Zohreh e Nahid deverão ser lançados neste ano. O ministro da Defesa, Ahmad Vahidi, que também participou do ato, lembrou que o Irã tem umprograma espacial de dez anos e que  o país espera poder enviar um homem ao espaço antes de 2020.
Vajidi disse que o novo Centro de Lançamentos Espaciais Imã Khomeini está em sua fase final de construção e que o novo foguete Simorgh será disparado deste local. O Irã colocou em órbita seu primeiro satélite em 2009, e desde então a indústria do país lançou outros ao espaço, utilizando seus próprios foguetes e tecnologia.
Em fevereiro de 2012, o Irã anunciou que estava desenvolvendo novos foguetes para lançar satélites a uma altitude maior. O desenvolvimento dos foguetes espaciais, que utilizam a mesma tecnologia do que os mísseis balísticos de longo alcance, causou preocupação em países como EUA e Israel, inimigos declarados do Irã.

Cientistas descobrem como as corujas giram quase toda a cabeça sem se machucar





Foto 35 de 38 - 4.fev.2013 - Estudo da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, descobriu como as corujas giram quase toda a cabeça (270 graus) sem danificar os vasos sanguíneos do pescoço nem interromper o fornecimento de sangue para o cérebro. As aves têm vasos sanguíneos que se ampliam, como uma represa, e acumulam sangue para garantir energia para irrigar o cérebro e os olhos enquanto entortam a cabeça Ilya Naymushin/Reuters


Cientistas norte-americanos decifraram o enigma de como as corujas conseguem girar quase completamente a cabeça, até 270 graus, sem danificar os delicados vasos sanguíneos do pescoço ou interromper o fornecimento de sangue para o cérebro.
Segundo estudo da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, os vasos sanguíneos na base da cabeça das corujas têm a capacidade de se ampliar, tornando-se uma espécie de represa. Esta represa permitiria, então, acumular sangue para que as corujas possam obter energia suficiente para irrigar o cérebro e os olhos enquanto giram a cabeça.
"Até agora, especialistas em scanner cerebral que, como eu, lidam com lesões causadas por traumas nas artérias da cabeça e do pescoço em humanos, se questionavam como estes rápidos e elaborados movimentos de cabeça não deixavam milhares de corujas mortas no chão da floresta por acidente vascular cerebral", afirmou o neuroradiologista Philippe Gaillourd, autor principal do estudo publicado na revista Science.
Para resolver o quebra-cabeça, a equipe de cientistas estudou a estrutura óssea e dos vasos sanguíneos da cabeça e do pescoço de vários tipos de corujas após suas mortes por causas naturais. Um corante de contraste foi usado melhorar a imagem de raios-X dos vasos sanguíneos das aves, que foram meticulosamente dissecados, desenhados e escaneados para permitir uma análise detalhada.
A descoberta mais surpreendente aconteceu depois que os cientistas injetaram uma substância corante nas artérias das corujas para imitar o fluxo sanguíneo e giraram manualmente a cabeça dos animais.
Os vasos sanguíneos na base da cabeça, logo abaixo do osso da mandíbula, se tornavam uma espécie de represa à medida que entrava mais corante no sistemacirculatório. Isto contrasta radicalmente com a capacidade anatômica do ser humano, em que as artérias geralmente tendem a ser cada vez menores e não a se inflar à medida que se ramificam.
"Os resultados do nosso novo estudo mostram precisamente que as adaptações morfológicas são necessárias para tais movimentos de cabeça", disse Gaillourd.